16 de abril de 2018

Precisamos construir um projeto nacional de agroindustrialização, afirma Assis do Couto



Autor da Lei da Agricultura Familiar, o parlamentar defende ainda a discussão sobre a crise no setor leiteiro e a dependência do Brasil em fertilizantes

Mais uma vez o deputado federal Assis do Couto (PDT-PR) faz parte da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados (CAPADR). Na reunião de abertura dos trabalhos, realizada no dia 11, o parlamentar destacou a necessidade urgente de se discutir a industrialização da agricultura brasileira. “Commodities todo mundo tem, nós precisamos travar um debate sobre a industrialização da nossa agricultura” afirmou o parlamentar, que é o autor da Lei da Agricultura Familiar.
 
Assis do Couto subscreveu três requerimentos, todos aprovados, à CAPADR. Um deles solicita a realização de audiência pública para tratar do Censo Agropecuário 2017 com enfoque prioritário sobre os dados coletados da agricultura familiar. O IBGE concluiu em fevereiro de 2018 a coleta de dados do 11º Censo Agropecuário Brasileiro. Como o último censo foi realizado em 2006, a expectativa é grande com a divulgação dos resultados, especialmente em relação à agricultura familiar brasileira, que sofre muitas pressões. “Com dados atualizados, será possível fazer recortes relevantes de cunho social e identificar tendências, entre elas o envelhecimento dos produtores e o êxodo rural. Também poderá ser evidenciada a participação do jovem no processo produtivo e a sucessão nas propriedades rurais”, diz a justificação do requerimento.
 
De acordo com os dados de 2006 havia 4.367.902 estabelecimentos de agricultura familiar, que representam 84,4% do total das propriedades com produção agropecuária, mas ocupam apenas 24,3% das terras.
 
O segundo requerimento assinado solicita a realização de um encontro para debater as providências e medidas adotadas pelos governos Federal e do Rio Grande do Sul, no caso da crise enfrentada pela cadeia produtiva do leite, visto que a comitiva designada pelo Governo Federal para visitar o Uruguai a fim de detectar a origem do leite que inunda os mercados no Brasil e fazem com que os preços caiam a patamares não remuneradores ao produto não mostrou resultados. “O Governo Federal nada fez pra aumentar a compra de leite em pó no âmbito das compras públicas e nada sinalizou no que concerne às medidas de apoio ao produtor. Esta paralisia precisa ser debatida e por isto convidamos os ministros e secretários afetos ao tema, para discutir profundamente a situação e dar à sociedade, respostas efetivas”, diz a justificação do requerimento.
 
Já o terceiro requerimento trata da realização de audiência pública para debater a dependência do Brasil em fertilizantes e os seus riscos para a segurança nacional. Os autores da proposta destacam que uma das áreas mais vulneráveis do agronegócio, que representa 20% do PIB brasileiro, é a dos fertilizantes. “Considerando o quadro de 2017, a dependência do agronegócio brasileiro nessa área foi de 76%. A dependência nos nitrogenados chega a 75%; a dos fosfatados, 60%; e no potássio chega a 95%. Nenhum país com um mínimo de formulação estratégica manteria níveis tão exorbitantes de dependência do seu principal setor da economia”, afirmam os parlamentares ao defender que a CAPADR poderia liderar um movimento político pela redução dessa dependência do país.
 
Para Assis do Couto, a CAPADR tem um papel fundamental no futuro do setor agropecuário brasileiro. “Não há uma política de industrialização da agricultura brasileira. Há um movimento que está a mercê de grandes grupos econômicos, de multinacionais que chegam aqui e se aproveitam de algumas fatias da nossa matéria prima, mas não há um projeto. O nosso debate já deveria sobre o futuro da nossa agricultura e a necessidade de alcançarmos um projeto nacional de agroindustrialização de forma horizontal e as cooperativas tem um papel fundamental nisso”, frisou o parlamentar.  


Fonte: Assessoria de Imprensa


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